sábado, 2 de junho de 2012

NO ALTAR DA POESIA




Pelos caminhos da Prosa,
descrevo a minha jornada
sob a luz da “fantasia
intensa e miraculosa”.
… E me vejo ajoelhada
no Altar da Poesia!…


Um Salmo me vem à mente…
depois, outro… e, outro mais!...
Efusões especiais,
vão fluindo… e de repente,
ouço os “Cânticos de Davi”
(eternos inspiradores
da Crença e da Devoção),
em perfeita interação
com o lindo bentivi
que chilreia sobre as flores!…


E faço a indagação:
Cânticos, assim, tão bonitos,
serão devaneios meus?!...
Responde o meu coração:
Os Salmos, - Hinos Benditos -,
são Poesias de Deus!
Não são devaneios, não!...
São inspirações maduras!
Germinam sementes puras!...
Semeiam afeição fraterna!
Por isso, o Amor não finda!…
A Natureza, é tão linda!…
E a Poesia, é eterna!


(Dilma Damasceno)
“Recanto Caboclo”, em 19 de Abril de 2012

segunda-feira, 30 de abril de 2012

RAZÕES SENTIMENTAIS



… Já sofri muitas rasteiras
no campo do sentimento!…
E senti o sofrimento
de ver morrerem as roseiras
do jardim onde o desejo
não conhecia o pecado!
… Já peguei o bonde errado,
e me perdi num cortejo
de emoções delirantes!…
Mas, escolhi por Missão,
prosseguir na Procissão 
rumo ao “Altar dos Amantes”!


Sou adepta da bondade;
fazer o mal, não consigo.
Não sei aplicar “castigo”…
e só me sinto à vontade,
semeando o patamar
do solidário fervor!
 … Não sei mendigar amor!…
O que sei mesmo, é amar!


(Dilma Damasceno)
“Recanto Caboclo”, em 09 de Março de 2012

CONDENSANDO SENTIMENTOS...




A "avidez de amor" me faz pensar:
 o tempo passa tão rapidamente,
que já me vejo "sentimentalmente",
na estação do outono, a repensar!


 ... Como era doce o aroma, a incensar
o riacho, onde o sol, - calidamente -,
punha ouro no azul, cândidamente!…
E quão  fluente, era o verbo condensar!...


 Eu condensava tudo, no “presente”!
Um sabiá cantava lindamente
no galho da jurema perfumada!…


 E quando o sol chegava no poente...
restava condensado em minha mente:
Eu só queria ser feliz… mais, nada!


 (Dilma Damasceno)
“Recanto Caboclo”, em 11 de Abril de 2012

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A FÉ SERTANEJA


Desde pequenina, conheço a Fé e a Devoção
do Povo Sertanejo.

Com o meu Avô Joaquim (Papai Quinca),
aprendi valiosas lições de solidariedade,
de coragem, de perseverança, e de simplicidade!

Estive em lugares castigados pela Seca,
participei de “calvalgadas” e “louvações”
ao Glorioso São José
(ouvi orações que mencionavam
pedidos de chuva, e de graças atendidas).

Sempre admirei os cactus, especialmente,
os mandacarus e os xique-xiques (suas flores e frutos).

Posso dizer que tenho certa intimidade
com a vegetação sertaneja...
gravados na memória do olfato, os cheiros das plantas nativas
aguçam as minhas evocações pastoris.

As bromeliáceas, os pereiros, as macambiras,
os juazeiros, as aroeiras, os umbuzeiros, etc., etc., etc.,
fazem parte do meu inesquecível “Jardim da Infância”!...

Mas no meu sertão,
não são apenas algumas plantas e flores
que demonstram sinais de inverno…
alguns pássaros, também!…
E quantas vezes ouvi o meu “Papai Quinca” anunciar:
 
Vamos amolar as ferramentas, e arranjar as sementes,
que o inverno vai pegar…
o xique-xique está florando, e o carão cantou… 
é hora de limpar o mato, e plantar o roçado.

E lá ia Ele com a enxada nas costas,
acompanhado dos meus Tios Maternos,
assoviando e cantarolando:

“Pássaro Carão cantou, Anum chorou também,
a chuva vem cair no meu Sertão…”
(Luiz Gonzaga e José Marcolino)

Das entranhas da alma crédula e sentimental,
brotou o lamento do sertanejo, na forma expressada pelo nosso querido Luiz Gonzaga, o imortal Rei do Baião,
que, em parceria com Humberto Teixeira,
compôs a belíssima música: “Asa Branca”,
conhecida em vários idiomas:

“Quando “oiei” a terra ardendo qual a fogueira de São João,
eu perguntei a Deus do céu, ai, por que tamanha judiação…”

E mais adiante:

“… Inté mesmo a asa branca bateu asas do sertão…
'Intonce' eu disse, adeus Rosinha,
guarda contigo meu coração…”

Mas, tenho a satisfação de mostrar
sinais auspiciosos revelados na música
“A Volta da Asa Branca”, destacando a percepção
que envolve a fidelidade à origem.

“Já faz três noites que pro norte, relampeia.
A 'asa branca', ouvindo o ronco do trovão,
já bateu asas e voltou pro meu sertão…
Ai, ai eu vou me embora, vou cuidar da 'prantação'…”
(Luiz Gonzaga e Zé Dantas)

Algumas palavras escritas e/ou faladas
na linguagem regional,
são perfeitamente compreensíveis…
Na composição de Asa Branca,
“oiei” (olhei)… “intonce” (então)… e, "prantação" (plantação)...
as manifestações retratam fielmente,
a forma simples do camponês falar.

Considerando que durante uma eternidade,
o homem do campo
sempre teve por escolaridade, o ofício da aragem…
e por lápis, a enxada…
e assim desenvolveu a arte de semear…
é com essa engenhosa pena
que compõe o que sabe, e o que sente!…

Particular e louvável, é essa linguagem
que tem como berço, a Natureza…
e sempre terá espaço cativo no inesgotável
“Livro da Terra”!

É com esse espírito de entendimento que encerro esta peça,
saindo da prosa para a poesia.
A febre do versejar, pede passagem… o que não posso negar,
pois, em verdade, sempre fui, e sempre serei vulnerável
a esse eterno contágio.
Por isso mesmo, estou sempre pensando, rabiscando,
e expressando o que sinto… como agora, por exemplo:

A Prosa e a Poesia
se abancaram em meu Jardim…
tomaram conta de mim,
e da minha Fantasia!…

Uma, é Jasmim… outra, é Lírio…
minhas Flores de Afeição!...
E ambas, são o Colírio
do Olhar do meu Coração!

Eita, divaguei… peço desculpas.
E passo a reafirmar em modestos versos,
o sentimento sertanejo, do jeitinho que me toca…


A FÉ SERTANEJA


Quando o Sertão for visto na essência,
e a consciência imperar de parte a parte…
Quando o saber, o engenho, e a arte,
gerarem os frutos da experiência
no campo genuíno da ciência…
Descansará, quem, incansavelmente
estuda a terra e deita-lhe a semente
que se transforma em saboroso pão…
Quem não sente os apelos do Sertão,
não sabe a Fé que o Sertanejo sente!...


Quando o inverno chega de repente…
diz “ô de casa”… e a saudação chuvosa
promete uma estação auspiciosa…
O Sertanejo, com expressão contente,
diz “ô de fora”, e pula p’ro batente!...
Mal cabendo no peito, o coração,
pega a enxada e segue em direção
ao roçado, com a alma renitente.
Não sabe a Fé que o Sertanejo sente,
quem não sente os apelos do Sertão!...


Quando o verde se esvai da plantação,
e cor de cinza fica o pé da serra,
- é quando a seca suplicia a terra -,
e quando a ave de arribação
vai procurar semente em outro chão!…
Mas, tudo muda milagrosamente
quando a chuva retorna ao solo quente,
e arrefece as brasas do verão!...
Quem não sente os apelos do Sertão,
não sabe a Fé que o Sertanejo sente!


(Dilma Damasceno)
“Recanto Caboclo”, em 02 de Abril de 2012

terça-feira, 20 de março de 2012

PINTANDO VERSOS...

 




Um filme “miscigenado”,
desfila em minha memória…
e um dia, será história
na memória do passado!...


Se alguém quiser revelar
um cruzamento “bem puro”,
filme… e remeta ao futuro,
a escrita popular
(digna de admiração)…
onde o poeta verseja,
e o verso rumoreja
no pulsar do coração!


… Com as tintas da pujança,
pinto sonhos e desejos!...
E prossigo, aos sacolejos,
no dorso da esperança!...


Nas “rédeas do reviver”
busco efusões sertanejas,
cantorias e pelejas…
coisas que me dão prazer!...


O som gostoso do pinho,
- vibrante, envolvente, e doce -,
me embala como se fosse
carícia de passarinho!...


Sempre senti afeição
pelos Vates da Viola!…
Meu coração, deita e rola,
saboreando um mourão!


(A) Que tal um bom desafio
sobre um romance amoroso?
Lá vai um, dois, três!...
(B) O momento é nebuloso,
mas, o tema é luzidio…
Lá vai quatro, cinco, seis!...
(A) Do tema não me desvio,
pois tenho em Si, um estai!…
(B) Cuidado que Você cai!
(A) Eu não temo os embaraços.
Se eu cair, caio em seus braços!...
Se for por dez pés, lá vai!


… Um toque de sedução
eclode, e me presenteia
com a luz da lua cheia,
sublimando a emoção
que aquece o sentimento!…
Minha alma sonhadora
sente a chama promissora
do amor!… O pensamento
a reboque da poesia,
voeja até ficar tonto!
Mergulho na fantasia!...
E o resto, - depois, eu conto!


(Dilma Damasceno)
“Recanto Caboclo”, em 08 de Março de 2012

sábado, 17 de março de 2012

IDÍLICA RURALIDADE...





Sentindo a brisa fagueira,
penso em cantares nativos,
e em sonhos compulsivos,
perdidos na capoeira
da minha infância rural!…
A chama do sentimento
flameja em meu pensamento!
… Como era lindo o mural
da idílica ruralidade
que eu mirava, embalada
pela voz da passarada!...
- Só resta agora, a saudade!


(Dilma Damasceno)
"Recanto Caboclo", em 17 de Janeiro de 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

ETERNO ADOLESCER...





Adolesço quando vejo
o pôr-do-sol sertanejo
- imagem cândida e calma -,
que na estação das flores,
- misto de luzes e cores -
encantava a minha alma!


… Era um pôr-do-sol lilás
que transcendia emergente
no céu do sertão dolente!...
Sereno, belo, e fugaz,
o astro-rei peregrino
abria alas p’ra lua,
e seguia o seu destino!...
“Janela Da Minha Rua”
revela esse pôr-do-sol
repleto de estesia!…
E esta “aprendiz de poesia”,
lembrando o belo arrebol,
lembra um tema que soava
com “cordelística” eufonia:
“… quando eu ia, ela voltava…
quando eu voltava, ela ia.”


A voz da recordação
locupleta o meu desejo
de aproveitar o ensejo,
para expor meu coração
amante da natureza…
e, coroar meu intento,
adoçando o sentimento
com o mel da singeleza!


… A lua, roubando a cena,
- branquinha, da cor do giz -,
levita com ar feliz!...
E a minha alma, serena,
voa alto, e dividida…
pois, cada novo arrebol
ungido de lua e sol,
- marcando o curso da vida -,
também unge, e faz crescer
o puro amor que fascina,
alimenta, e ilumina
meu “eterno adolescer”!


(Dilma Damasceno)
"Recanto Caboclo", em 04 de Março de 2012

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

UM FELIZ APRENDIZADO...





Eu sou como sou: uma eterna aprendiz
de conhecimentos nativos do AMOR!
… E então, procurei um fiel Professor
que me ensinasse, - sem lousa, e sem giz -,
a rota ideal para um “Porto Feliz”!...
O Mestre me disse: importante, é remar,
aguardando sempre, a maré acalmar!
Sem lousa, e sem giz, mas com o coração,
guiou meu olhar na melhor direção
do “Porto Feliz” onde a ordem, é: AMAR!




(Dilma Damasceno)
Natal/RN-Nordeste-Brasil, em 01 de Janeiro de 2012

sábado, 31 de dezembro de 2011

NATURALMENTE, FALANDO...




Sempre gostei de escrever…
e escrevo tudo o que sinto.
Até mesmo o que pressinto,
eu procuro descrever.
Mas não desejo entrever
sentimentos de aspereza!
Busco entrever singeleza...
e descrever, com dulçor,
a minha história de amor,
no “Livro da Natureza”!


(Dilma Damasceno)
Natal/RN-Nordeste-Brasil, em 31 de Dezembro de 2011

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

VERSEJANDO "VOEJOS"...





Pelos caminhos da vida,
um dia encontrei guarida
numa morada florida,
onde os melros fazem ninhos!...
O mapa dos meus caminhos
ficou todo iluminado!
... E o meu coração alado
voou no "Céu dos Carinhos"!...


Desde então, extasiado,
- seguindo um mapa sagrado -,
meu coração tatuado
de flores e passarinhos,
manifesta aos bocadinhos,
o quanto sentiu-se pleno,
quando, amoroso e sereno,
voou no "Céu dos Carinhos"!


(Dilma Damasceno)
Natal/RN-Nordeste-Brasil, em 28 de Dezembro de 2011